quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ÂNCORA DOS MEUS SONHOS

Ancorei os meus sonhos
no fundo do oceano...
Nas sombras do passado,
busco uma luz que parece vaga,
mas minha busca é incessante...

Mergulho nos desejos já perdidos
e encontro uma paz revigorante
que me carrega para o horizonte distante..

Fecho os olhos, mas a visão do mundo
é evidente,
persiste em minha mente,
como um filme antigo e emocionante.
Nisso, bebo do prazer
que preenche o meu viver
intensamente.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

IRACEMA

Um aluno que leu a postagem da adaptação de Iracema me pediu para que eu postasse os outros capítulos desse árduo trabalho. Não pude negar esse pedido. Eis, amigo aluno, mais um capítulo da adaptação. Espero que goste.

Além da serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos negros e longos , assim como um doce sorriso.
A morena virgem corria o sertão e as matas  onde habitava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara.
Um dia, ao Sol ardente, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-se à sombra da oiticica, enquanto escondidos na folhagem os pássaros cantavam. Ela saiu do banho e a graciosa ará, sua companheira e amiga, brincava junto dela. Às vezes subia os ramos da árvore e de lá chamava a virgem pelo nome; remexia o uru feito de palha  , onde a selvagem trazia os seus perfumes.
Rumor suspeito quebrou a doce harmonia da sesta. A  virgem ergueu os olhos, que o sol não deslumbrava; sua vista perturbou-se.
Diante dela e todo a contemplá-la estava um guerreiro estranho ou algum mau espírito da floresta. Tinha nas faces o branco das areias que bordavam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas.
Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulharam na face do desconhecido.
De primeiro ímpeto, a mão tentou pegar  a espada; mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d’alma que da ferida.
Ele pôs nos olhos e no rosto um doce sentimento , já a virgem lançou de si o arco , e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara.
A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava no rosto do rapaz. Depois Iracema quebrou a flecha homicida: deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.
— Quebre comigo a flecha da paz? Disse ele. A jovem índia se admirou da atitude do guerreiro e logo quis saber de onde vinha e como aprendera a linguagem do seu povo. — Venho de bem longe, filha das florestas. Venho das terras que teus irmãos já possuíram, e hoje têm os meus.
Iracema deu-lhe boas-vindas e convidou-o para ir ate a cabana de seu pai, Araquém , o pajé da tribo.

AS VEREDAS DE MIM...

Levantei-me hoje com aquela sensação de que estamos chegando a mais um final de uma etapa, quando paramos à beira do caminho para analisarmos o que fizemos durante todo o ano. Pensando nisso, eu escrevi esse poema:
AS VEREDAS DE MIM...
As veredas do meu pensamento
cruzam galáxias, atravessam portais,
buscam outras dimensões.

Sou viajante do ininteligível,
pois meu sentir é abismal...

Imagino-me longe de mim
entre gnomos, fadas, ogros...

Sou produto da magia,
resultado da fantasia...

Sou eu, mas nem mesmo sei quem sou,
porque cada vereda percorrida
é um ponto de partida
da incógnita para onde vou...

Em cada raio de sol,
em cada réstia de luz,
em cada brilho da lua,
eu sou o grito
perdido no infinito
nas veredas dentro de mim.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

UM SONETO DE AMOR


Um soneto de amor...

Seus olhos me falam tanto 
 De um doce e casto amor 
Que criou a natureza 
Com  meiguice e com primor.

Sua voz harmoniosa 
Fala-me de uma ardente paixão,  
Eu quisera ouvir sempre
As fantasias do coração!

Sua face bela e  divina 
Mais meiga que harmonia 
Inspira a minha poesia .
 
Onde um desejo de leve 
Em minh’alma, sem vigor; 
"Dá-lhe um suspiro de amor!"

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

AS APARÊNCIAS ENGANAM...

Sentei-me ao computador e fiquei a observar ora as teclas, ora a tela do monitor e logo eu me lembrei de uma história de um poeta que há tempo eu havia escrito. Ele gostava muito de plantas, em especial, das flores. Isso parecia uma obsessão, pois seus poemas, seus livros somente tratavam dessa criação divina da natureza.
Foi por essa loucura que certa vez, ele se deparou com um belo jardim. Ali, havia um canteiro, mesmo que pequeno, era apresentável. Nele, numa roseira exótica, despontavam duas rosas.
A primeira , que ele observou, parecia estonteante : suas pétalas tinham detalhes magníficos; sua cor brilhante encantava qualquer ser que a admirasse e o seu perfume era embriagador.
A segunda se mostrava acanhada: não se podiam perceber os  traços de suas pétalas, tampouco sua cor fugidia era atraente aos olhos do poeta e o aroma que exalava , mal dava para ser sentido.
Levado pelo entusiasmo, ele subitamente pegou a rosa mais atraente e mais que de repente sentiu uma forte dor. Ela estava impregnada de espinhos que feriram a mão que a prendia.Ao perceber que sangrava, o poeta jogou-a ao chão.
Hesitou antes de pegar a outra,mas se sentiu impulsionado a pegá-la.Assim o fez.
Aos poucos foi percebendo a diferença entre as duas. De perto,a pequena rosa mostrava-se perfeita com detalhes minúsculos que davam às pétalas uma beleza incomparável;  já a cor antes tímida,agora aparecia brilhante,sucessivamente apresentava um brilho admirável.O poeta procurou sentir o perfume que ela exalava e sua suavidade especial lhe hipnotizava a alma.
Assim pensou na ideia que martelava a sua mente: " as aparências enganam "...



sábado, 10 de novembro de 2012

IMAGEM

A árvore morta
de galhos secos
e de folhas caídas
simboliza a tristeza
de minh'alma...

Quando olho para a sua imagem ressequida
ainda percebo seus frutos,
sua verdura exuberante...
Imagino a sua sombra
que servia de abrigo para tantos...

Assim busco a minh'alma
que guarda vestígios do passado,
perdidos,confusos,
mas ainda persistentes.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

DISFARCES DO AMOR

Ontem, eu li um livro que falava sobre amor. Muito me impressionaram as palavras do autor. Em seguida, comentem com uns amigos e fiz considerações a respeito do assunto do livro, enfim resumi tudo nesse poema que escrevi.

DISFARCES DO AMOR

Nunca faltam a um amor pretextos,
que justifiquem as atitudes de luas, de praias, de mesas de bar...
de tantas promessas,
infidelidades,
farsas, inverdades...
Mas, como é indispensável o amor
ou disfarçá-lo bem
para vencer a dor,
a solidão, a tristeza, a infinita discórdia.
O ser que ama
obedece às leis instintivas de amar
tão simplesmente,
tão obediente...
E quem engana
encontra sempre
quem se deixe enganar.